Não é auspicioso!
O grande problema do Brasil em relação à arte e ao entretenimento é a pouca valorização dada aos roteiristas, diretores, produtores e tantos outros profissionais da área de cinema. Por mais que haja um esforço para que o cinema brasileiro seja valorizado e consiga alcançar a grande massa do nosso país, o patrocínio é raro. Esse é um dos motivos que acaba levando os apaixonados pela sétima arte a procurar outras formas de reconhecimento, como a televisão.
Ao contrário do cinema, a televisão é um veículo de massa que acaba por atrair grandes investimentos e muita publicidade. Querendo ou não, todos assistem TV. Portanto, o público-alvo de todos os produtos do mercado está lá, mesmo que isso ocorra em diferentes horários ou em decorrência da programação televisiva.
Por falar em programação televisiva, todos nós sabemos que a maior audiência da televisão acontece durante a transmissão de novelas. Por sua vez, na maioria das vezes, as telenovelas são feitas por roteiristas e escritores que viram na TV uma ótima fonte de dinheiro e sucesso. A Glória Perez, escritora de Caminho das Índias, é um ótimo exemplo disso.
A diferença de salário entre um roteirista de cinema e de uma escritora de telenovelas é inacreditável. Poucos sabem disso, mas autores consagrados como Glória Perez ganham em média 200 mil reais por mês quando têm algum trabalho no ar e uns 50 mil quando não possuem novelas de sua autoria sendo transmitidas, apenas para manter o contrato com a emissora.
O problema em questão é como alguém consagrado no ramo de novelas desenvolve tantos vícios de linguagem, que passam despercebidos pelos telespectadores. Glória Perez tem conseguido me irritar profundamente toda vez que coloca a frase “Não é auspicioso” no diálogo dos personagens que fazem parte do núcleo indiano da novela.
Em apenas um capítulo da telenovela, a autora chegou a repetir a frase cerca de cinco vezes. Algumas vezes eram, inclusive, repetidas numa mesma cena. Hare babá, Glória Perez! A Senhora anda exagerando nos vícios de linguagem. Procure utilizar sinônimos como, “traz má sorte”, “desarmoniza”, “é de mau agouro” etc.
Ainda nesse assunto, gostaria de deixar claro que não é só a Glória Perez que se torna repetitiva nos seus roteiros. Grandes autores, como o Aguinaldo Silva, também possuem vícios de linguagem. Em sua última novela, Duas caras, um vício do autor virou motivo de sátira, quando Antonio Fagundes pegou o “epa!”, os multiplicou cada vez que o escritor colocava-o no diálogo e acabou transformando um vício num jargão bem-sucedido no Brasil todo.
Vale ressaltar que os vícios deixam a novela pesada, cansativa e repetitiva. Glória Perez, por Lord Ganesha, é “auspicioso” se policiar mais em relação a essas frases que não acrescentam nada nos diálogos, para que isso não virasse motivo de irritabilidade entre os telespectadores atentos. Portanto, fica aqui uma dica construtiva aos autores e àqueles que assistem às novelas. Esses vícios irritam, mas rendem boas risadas.

Na foto extraída do site oficial da novela, o personagem Opash, um dos maiores alvos do "Não é auspicioso".
Beijos e boa semana!
PS: Ah! Não podia deixar de esquecer o fracasso da autora com o protagonista Bahuan, que não foi aceito pelo público e acabou dando margem para o sucesso entre o casal Maya e Raj, em detrimento de Maya e Bahuan.
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